Para além do LoL: Jogos em ascensão
- Lucas Lopes
- 3 de mai. de 2022
- 18 min de leitura

VALORANT
Criado pela mesma desenvolvedora de League of Legends, Riot Games, o Valorant é um jogo de tiro em primeira pessoa, também conhecido como FPS (First-Person Shooters). Atualmente, o Valorant já é considerado um dos jogos com maior impacto mundial, ocupando o terceiro lugar de uma pesquisa realizada pelo site The Esports Observer para saber quais são os jogos com maior impacto no mundo em 2021.
O game contém partidas 5 contra 5, no qual cada jogador escolhe um ‘agente’ e deve conquistar objetivos para vencer a equipe inimiga. Contudo, o sistema de partidas acaba se diferenciando do modelo de outros títulos da Riot Games, como o próprio League of Legends.
No Valorant, as partidas são baseadas em rodadas, ganhando o time que vencer 13 rodadas primeiro. Apesar de parecer simples, os requisitos que determinam quem vence ou não a rodada varia de acordo com o time que se está jogando, seja ele de ataque ou defesa.
“Valorant é um jogo muito especial. Ele traz o elemento fantasia, que é extraordinário. É como se a gente vivesse naquele universo”, afirma Alice ‘Onlymikka’ Mesquita, streamer de Valorant, em uma entrevista concedida para esta matéria.
O título vem ganhando um grande destaque no cenário de esportes eletrônicos. Em 2021, o game teve o seu primeiro campeonato mundial, o VALORANT Champions. Em seu primeiro mundial, o Valorant pagou em R$5,6 milhões ao time europeu Acend, primeiro time campeão do mundial da modalidade.
Acend, primeira campeã mundial de Valorant | Reprodução/Riot Games
Mesmo sendo um novo, o Valorant já conseguiu conquistar seu espaço. Com menos de um ano de lançamento, o jogo já estava entre os jogos mais transmitidos no Twitch. Segundo a Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, o Valorant conta com 3,26 milhões de horas transmitidas na Twitch em todo o mundo.
No Brasil, o jogo já ganhou um grande espaço dentro do cenário de esportes eletrônicos, fazendo com que o país se tornasse destaque dentro do competitivo e fosse o segundo com maior número de jogadores no mundial da modalidade. “O cenário brasileiro é absurdo. A gente já conseguiu levar 2 times para o mundial, sendo a maior representatividade latinoamericana no campeonato”, completa Onlymikka.
O FPS da Riot chega ao mercado de esportes eletrônicos para se consolidar e bater de frente com títulos já conhecidos, como CS:GO, Call of Duty e Rainbow Six. Apesar de cuidar bem da sua galinha dos ovos de ouro (League of Legends), a Riot vem buscando aprimorar e estabelecer um ecossistema coeso no Valorant, para assim elevar o recente jogo de tiro ao mesmo patamar de seu tão orgulhoso MOBA.
RAINBOW SIX
Lançado em 2015, Rainbow Six Siege (R6) é um dos grandes nomes da desenvolvedora canadense Ubisoft. O jogo é um FPS on-line que possui funcionalidades diferentes para cada personagem disponível. O jogo contém mais de 55 operadores, como são chamados seus personagens, e 20 mapas diferentes.
Assim como no Valorant, o Rainbow Six é um jogo de tiro tático que é jogado entre duas equipes de cinco jogadores. Cada equipe recebe uma função, a de ataque e a de defesa. O time de ataque deve invadir os locais específicos, conhecidos como Bombsites, para plantar o desativador (defuser) e desarmar uma bomba que está programada para explodir ao término de cada rodada. Já o time de defesa deve proteger os Bombsites e evitar que o time de ataque plante o defuser.
“Desde pequena eu gostava bastante de FPS, mas acabei deixando os jogos de lado quando entrei na universidade. Agora, na pandemia, com as aulas suspensas, conheci Rainbow Six e voltei a jogar mais intensamente”, relata Madalena Souza, jogadora amadora de Rainbow Six.
Para o cenário competitivo brasileiro de R6, 2021 foi um ano de grandes vitórias. Após ficar com o segundo lugar no Six Invitational, campeonato mundial do game, de 2020, o time brasileiro Ninjas in Pyjamas foi o grande campeão da modalidade em 2021. A premiação do campeonato chegou a US$500 mil (quase R$ 3 milhões na cotação atual).

Primeira conquista internacional do Brasil em 2021 veio com a Ninjas in Pyjamas | Reprodução/Kirill Bashkirov/Ubisoft
Não foi apenas o primeiro lugar que foi brasileiro, mas sim todo o pódio do Six Invitational 2021. Além do Ninjas in Pyjamas, Team Liquid e MIBR, times que também estavam representando o Brasil no campeonato mundial, completaram o pódio.
Mesmo estando ao lado de concorrentes de peso, como o Valorant, o Rainbow Six consegue se manter como um dos jogos de bastante impacto dentro do cenário competitivo. Conforme uma pesquisa realizada pela Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, o R6 está entre os 10 principais jogos com melhores premiações em 2021.
Ainda de acordo com a pesquisa, o game desembolsou mais de US$6 milhões para os vencedores de seus campeonatos. Em um outro estudo realizado pela Statista, o Rainbow Six atingiu um pico médio de 9,8 mil espectadores apenas em janeiro deste ano. Na pesquisa realizada pelo The Esports Observer para saber quais foram os jogos com maior impacto mundial de 2021, o R6 ficou na décima posição, sete posições abaixo do Valorant.
FREE FIRE
Desenvolvido pela Garena, prestadora de serviços digitais, o Free Fire foi e continua sendo uma grande explosão desde seu lançamento em 2017. Ele é um jogo de tiro, porém, diferente do Valorant e do Rainbow Six, ele é um Battle Royale (Batalha Real). O Battle Royale é um gênero de jogo em que vários jogadores são colocados em uma arena até que apenas um esteja vivo.
Além disso, o que diferencia o Free Fire dos demais jogos apresentados até agora é a sua plataforma. Focado em atingir um público mais abrangente, o Free Fire é um jogo criado para dispositivos móveis, comumente chamado como mobile, o que ajuda a aumentar cada vez mais seu público. Apenas em 2021 o jogo teve mais de 150 milhões de jogadores ativos. Também em 2021, o Free Fire conseguiu gerar uma receita mensal de US$107 milhões.
“O Free Fire é um jogo muito inclusivo. Diversos celulares conseguem rodar sem sofrer com travamentos ou engasgos. Isso, ao meu ver, é um divisor de águas e ganha a atenção de muitos interessados”, afirma Mayara Cruz, jornalista de esports no portal Multiverso+.
A chegada do Free Fire para os dispositivos móveis resultou em um considerável impacto dentro dos esportes eletrônicos. Com seu próprio campeonato mundial e regional, o Free Fire acumula milhões de telespectadores em todo o mundo. Na edição de 2021, o campeonato mundial do game bateu mais de 5 milhões de espectadores simultâneos, o que é um recorde dentro das transmissões de campeonatos de esportes eletrônicos mobile.
No cenário competitivo de Free Fire, o Brasil tenta se manter entre uma das regiões mais difíceis de se enfrentar. No campeonato mundial de 2021, dois times brasileiro completaram o pódio, a LOUD e a Fluxo. Os times terminaram em segundo e quarto lugar respectivamente, faturando cerca de US$350 mil juntos. Em 2019, o Corinthians Esports, outro time brasileiro, conseguiu sua vaga no pódio, mas desta vez em primeiro lugar.

Jogadores do Corinthians levantam o troféu de campeão mundial de Free Fire | Foto: Divulgação/Garena
“O Brasil é uma região forte em diversos jogos, e Free Fire é um deles. Para o Brasil se tornar temido na modalidade não tem outro caminho a não ser ficar entre os primeiros colocados de competições internacionais. Com isso, a região brasileira seria respeitada como uma das melhores, o que a faria ser usada como exemplo de jogabilidade. Porém como consequência disso, os times brasileiros teriam mais trabalho para se reinventar e surpreender as equipes oponentes”, completa Mayara Cruz.
WILD RIFT
Visando trazer boa parte da experiência do League of Legends (LoL) para os dispositivos móveis, a Riot Games lançou o League of Legends: Wild Rift. Lançado em 2020, o game vem conquistando o coração das pessoas que queriam ter ou voltar a ter uma experiência com o LoL.
No Wild Rift, duas equipes de cinco jogadores se enfrentam, vencendo quem destruir a base inimiga primeiro. No entanto, diferente do LoL tradicional, o Wild Rift tem partidas mais rápidas e algumas alterações no mapa, como a diminuição da quantidade total de torres.
“Fazia tempo que eu estava em um computador para rodar o LoL, então esperei ansiosamente o lançamento do Wild Rift, que traz a mesma proposta só que para celulares”, afirma Juan Victor, jogador amador de Wild Rift, para esta matéria.
Mesmo sendo novo, o Wild Rift já gerou bons frutos para a Riot Games. Em uma pesquisa realizada pela Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, o Wild Rift conseguiu ter uma receita de mais de US$3 milhões apenas em novembro de 2021. Em abril do mesmo ano, o game atingiu seu pico e teve mais de US$8 milhões em receita, se consolidando como um dos jogos mobile mais importantes atualmente.
Em 2021, o game ganhou seu primeiro campeonato mundial, a Horizon Cup. O torneio aconteceu em Singapura e teve uma premiação total de US$500 mil. A grande campeã foi a equipe chinesa Da Kun Gaming, que além da premiação, levou o primeiro título da campeã internacional da modalidade.
Da Kun Gaming, campeã do Horizon Cup, campeonato mundial de Wild Rift | Reprodução/Riot Games
O Brasil conseguiu se classificar para o campeonato mundial, mas acabou sendo eliminado durante os primeiros jogos. Mesmo que a Horizon Cup tenha sido um torneio de nível mundial, a Riot Games, não o classifica como torneio mundial oficial. Para a desenvolvedora, o ano de 2022 será tratado como o primeiro ano oficial do Wild Rift nos esports.
De acordo com a plataforma de dados Sports Charts, o Wild Rift teve um pico de 63 mil espectadores simultâneos apenas na Horizon Cup. O Sports Charts também afirma que o campeonato teve quase 2 milhões de horas assistidas nas plataformas de transmissão, como Twitch, Youtube, Nimo TV etc.
“Acredito que o Wild Rift tem um grande potencial para ser um gigante dentro dos esports, visto que o cenário do LoL para computador é algo surreal”, continua Juan. O jogador também acredita que o game necessita de uma melhor administração para que o jogo alcance o sucesso tão desejado.

TSM, campeã do Wild Tour Brasil 2021 | Reprodução/Riot Games
O Wild Rift é uma das grandes promessas da Riot Games e a cada dia o jogo vem ganhando seu espaço dentro dos esportes eletrônicos. Por ser um jogo mais rápido e dinâmico, o Wild Rift também conquista cada vez mais usuários. Segundo a Statista, o jogo está entre os 5 jogos mais baixados em celulares mundialmente, com pouco mais de 1 milhão de downloads mensais.
“Acho que é unânime na comunidade que o Wild Rift peca nas punições contra jogadores tóxicos e trolls. O jogo precisa melhorar muito nesse quesito”, desabafa Juan Victor.
Certamente o jogo ainda precisa evoluir bastante, como qualquer outro. Só assim a desenvolvedora, jogadores amadores, profissionais e telespectadores poderão aproveitar em comunhão a ascensão da mais nova promessa da Riot Games.
POKÉMON UNITE
Lançado em 2021, o mais recente título da desenvolvedora TiMi Studios, Pokémon Unite, caiu de paraquedas em um cenário dominado por diferentes MOBAs (Multiplayer Online Battle Arena). O game chega com uma proposta levemente diferente para o mercado, tentando sair da famosa receita disseminada por League of Legends: um mapa com torres e um núcleo dentro da base inimiga esperando ser destruído.
Em Pokémon Unite, cada time, com cinco jogadores cada, entram em uma arena de batalha dividida em dois, com partidas de 5 a 10 minutos. Aqui, em vez dos players abaterem uns aos outros apenas, é necessário que eles marquem pontos em locais específicos espalhados pelas rotas.

Mapa de batalhas rápidas de Pokémon Unite | Reprodução/TiMi Studios
“Com a chegada de Pokémon Unite, acredito que as opções de jogos foram expandidas. Mesmo sendo algo de nicho, acredito que o jogo tem potencial se tiver um bom investimento”, afirma Catarina Pimenta, diretora-chefe do caderno de games do portal Multiverso+.
Com menos de um ano de lançamento, o jogo já conta com mais de 50 milhões de downloads realizados nas plataformas de aplicativos. O grande sucesso colaborou para a entrada do Pokémon Unite dentro dos esportes eletrônicos. Com o cenário ainda em estágio embrionário, equipes brasileiras já se formam buscando destaque em um dos possíveis jogos mais viciantes no meio dos esportes eletrônicos mobile.
Os torneios oficiais do game começaram apenas neste ano, com competições mensais e mais de US$1 milhão em premiações. O Brasil está ao lado do Uruguai e Paraguai nos torneios da América do Sul. Já os circuitos qualificatórios do game terão premiações de nada menos que US$50 mil em premiação.
Entre os meses de fevereiro e junho, o game contará com 10 campeonatos que abrirão vagas para o primeiro torneio internacional da modalidade, a World Championship de Pokémon UNITE. O vencedor do mundial levará o título de melhor equipe do mundo e uma premiação total de US$500 mil, quase R$3 milhões na cotação atual do dólar.
IMPACTO DO MOBILE DENTRO DOS ESPORTS
Ao longo do tempo, os jogos eletrônicos acabaram ficando mais difíceis de serem rodados em computadores mais simples, já que, com o avanço da tecnologia, os games também se atualizaram para entregar uma performance melhor. No entanto, não são todos os brasileiros que tiveram ou têm condições de comprar um computador que consiga rodar os jogos sem travamentos.
As peças acabam ultrapassando o valor da renda média mensal brasileira que, segundo o Instituto Brasileito de Geografia e Estatística (IBGE), é de R$2.447. Para demonstrar o quanto ter um aparelho de ponta está fora da realidade brasileira, listamos aqui o valor médio das peças para montar um computador voltado para jogos e que tenha uma boa performance.
Processador Intel Core i5-10400F (KaBuM!): R$ 1.341,06
Placa mãe Gigabyte B450 Aorus (Pichau): R$ 554,43
Cooler Para Processador Cooler Master Hyper H412R (Amazon): R$ 147,61
Memória RAM 16GB (2×8) Corsair Vengeance 3200MHz (Mercado Livre): R$ 847,98
HD SEAGATE 1TB 7200 RPM (Amazon): R$306,00
Placa de vídeo NVIDIA Geforce GTX 1660 OC (Amazon): R$ 2.699,00
Fonte de Alimentação EVGA 450 BR (Amazon): R$799,00
Gabinete PICHAU GADIT X (Pichau): R$ 386,26
Mouse Logitech G203 (KaBuM!): R$ 117,53
Teclado Redragon Kumara (Amazon): R$ 290,00
Mousepad HyperX Fury Speed S (Amazon): R$ 214,90
Monitor Samsung LC24F390FHLMZD (KaBuM!): R$ 1.111,00
Headset Gamer Logitech G332 (Amazon): R$ 339,00
Total: R$ 9.153,77
É evidente que o valor de um computador voltado para jogos e com uma boa performance está fora da realidade de muitos brasileiros, inclusive daqueles que sonham ou sonharam em se tornar atletas de esportes eletrônicos, os proplayers. Entretanto, se por um lado o mercado de computadores voltados para jogos encarece, por outro o mercado de dispositivos móveis voltados para games, que são bem mais baratos, começa a ganhar força.
Sabendo que, de acordo com o IBGE, a renda média de uma família brasileira é de R$2.447, listamos aqui os requisitos mínimos que um smartphone necessita para conseguir ter um bom funcionamento para jogos e o valor médio de um aparelho com essas especificações.
Sistema Operacional: Android 8 ou posterior
Memória: 4 GB de RAM
Processador: Octa-core de 3,1 GHz e 64 bits
Placa de Vídeo (GPU): Adreno 618
Armazenamento interno: 3GB
Valor médio de um smartphone com essas especificações: R$ 1.500 - R$ 2.000
De acordo com a Pesquisa Anual do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada, FGVcia, o Brasil tinha cerca de 242 milhões de smartphones em uso apenas em junho de 2021. Isso mostra como os aparelhos celulares são mais acessíveis e como estão entrelaçados culturalmente ao dia a dia do brasileiro.
Aproveitando uma crescente no uso de dispositivos móveis e na acessibilidade que eles promovem, empresas decidiram começar a focar em jogos lançados para esses aparelhos, a plataforma mobile. Um caso de sucesso é o Free Fire, um jogo de tiro em que os jogadores se enfrentam e o último que permanecer vivo durante a partida vence. Esse estilo de game é conhecido como Battle Royale, ou Batalha Real, e vem fazendo muito sucesso com outros títulos também focados para o público mobile, como é o caso do PUBG (PlayerUnknown's Battlegrounds).
O avanço dos jogos para celulares foi um solo fértil para o surgimento e crescimento dos esportes eletrônicos na área. Com a acessibilidade que os aparelhos celulares trouxeram, a democratização dos esportes eletrônicos tomou novos rumos, conquistando a cada dia mais adeptos.
Com o aparecimento dos esports mobile, as desenvolvedoras de jogos, que produziam títulos para computadores, viram uma oportunidade de se inserir em uma área mais plural e acessível, como é o caso do League of Legends: Wild Rift. Primeiramente lançado para computadores, a Riot lançou em 2020 a versão mobile de seu carro chefe da empresa, o League of Legends (LoL).
De acordo com o portal de tecnologia Techtudo, atualmente o League of Legends tem uma média mensal de 8 milhões de usuários ativos, enquanto na sua versão para celulares, o Wild Rift, a média de usuários já ultrapassa os 10 milhões. A Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, afirma em uma pesquisa que, no Brasil, mais de 69 milhões de pessoas usaram jogos para celular em 2021. A pesquisa também afirma que mais de 86 milhões irão usar jogos mobile até 2026.
O crescimento do mercado voltado para os dispositivos móveis também é marcado pelo crescimento do seu cenário competitivo. Além do Wild Rift, outras modalidades também ganham destaque, como Free Fire, Mobile Legends: Bang Bang, PUBG Mobile e Arena of Valor.
As competições, por sua vez, atraem cada vez mais telespectadores, fazendo com que os índices de audiência cheguem a níveis cada vez mais elevados. Segundo o Esports Charts, agência de análise que coleta todas as informações sobre esports e streaming, o Mobile Legends: Bang Bang foi o jogo para dispositivos móveis mais assistido do mundo em 2021, com mais de 386 milhões de horas assistidas. Na pesquisa realizada pela agência, nomes como PUBG, Free Fire e Arena of Valor também estavam entre os mais assistidos.
Jogo | Horas assistidas |
Mobile Legends: Bang Bang | 386,8 milhões |
PUBG Mobile | 216,7 milhões |
Free Fire | 142,2 milhões |
Arena of Valor | 82,1 milhões |
Battlegrounds Mobile India | 19,3 milhões |
*Battlegrounds Mobile India é a versão exclusivamente indiana do PUBG Mobile.
**Dados coletados no site Esports Charts.
A pesquisa também afirma que os os jogos com maiores horas assistidas também tiveram picos alternados entre a quantidade de espectadores. O estudo aponta como Free Fire sendo o jogo mobile com o maior audiência durante a transmissão de seus jogos, com mais de 5 milhões de espectadores simultâneos.
Jogo | Pico de espectadores |
Free Fire | 5,4 milhões |
PUBG Mobile | 3,8 milhões |
Mobile Legends: Bang Bang | 3,1 milhões |
Arena of Valor | 879 mil |
Battlegrounds Mobile India | 547,8 mil |
*Dados coletados no site Esports Charts.
Outra coisa que também chama a atenção são as premiações dos campeonatos dessas modalidades. Dentre os jogos apresentados na pesquisa realizada pela Esports Charts, PUBG Mobile destaca-se na premiação do seu torneio mundial, que é nada menos que US$3 milhões.
Jogo | Valor da premiação (US$) |
PUBG Mobile | US$ 3 milhões |
Free fire | US$ 2 milhões |
Mobile Legends: Bang Bang | US$ 800 MIL |
Arena of Valor | US$ 500 MIL |
*Dados coletados no site Esports Charts.
Apesar de ser um jogo recente no mundo dos esports, o Wild Rift também já se consagra entre um dos jogos mais populares dentro do cenário competitivo mobile. Em 2021, na Horizon Cup, primeiro torneio mundial da modalidade, o jogo teve um mais de 1 milhão de horas assistidas com um pico de mais de 62 mil telespectadores simultâneos.
Jogo | Horas assistidas | Pico de espectadores | Valor da premiação (US$) |
Wild Rift | 1,6 milhões | 62,885 mil | US$ 500 MIL |
*Dados coletados no site Esports Charts.
Com o avanço do cenário mobile, é notório o seu impacto dentro dos esportes eletrônicos. Seja na audiência quanto no valor de suas premiações, não podemos negar o quanto o cenário de esports mobile vem crescendo e conseguindo seu espaço. Trilhar um novo caminho por terras que já são dominadas por outros esportes eletrônicos de plataformas mais tradicionais é uma aventura que parece estar sendo muito bem aproveitada pelas desenvolvedoras.
IMPACTO ECONÔMICO DOS ESPORTS MOBILE
Cada vez mais se aproximando dos números conquistados pelos esports 'tradicionais', o cenário mobile vem conquistando cada vez mais uma audiência consolidada. Por serem mais acessíveis, os esports mobile caíram no gosto do brasileiro. De acordo com a Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, o Brasil já soma mais de 69 milhões de usuários de jogos mobile.
Apenas no Brasil, essa quantidade deve aumentar e chegar até 86 milhões de usuários, afirma a empresa alemã. Apesar disso, não é apenas no solo brasileiro que os jogos mobile e seu cenário competitivo têm fama; ao redor do mundo a modalidade vem crescendo a cada dia, conseguindo até ultrapassar os esports convencionais.
De acordo com o Esports Charts, agência de análise que coleta todas as informações sobre esports e streaming, no primeiro trimestre de 2022 o Free Fire já ultrapassa os 8 milhões de horas assistidas apenas na Twitch, plataforma de transmissão online. Ainda conforme o Esports Charts, os campeonatos de Wild Rift que ocorreram no segundo semestre de 2021 somam quase 4 milhões de horas assistidas apenas na Twitch.
Entrevistado para esta matéria, César Souza, pesquisador de games na Faculdade de Coimbra, diz que sempre enxergou o mercado mobile como algo que conseguiu impactar o cenário econômico dos esportes eletrônicos. Ainda conforme o pesquisador, por serem mais acessíveis, as modalidades do cenário mobile têm o poder de incluir em vez de segregar a comunidade gamer, uma vez que, quem não consegue ter condições de ter um computador mais potente, pode optar por um dispositivo móvel.
“Desde o começo era escutado um murmurinho sobre o cenário mobile engolir o cenário mais tradicional, mas não foi isso que vimos. Vimos que ambos os cenários se desenvolveram e muitas vezes se ajudaram. Eu acredito que existe sim um impacto econômico por parte do cenário mobile”, afirma César Souza.
O impacto que se consegue observar é fruto de um conjunto de fatores que crescem a cada dia dentro dos esports. Além das quantidades absurdas de horas assistidas, a quantidade de telespectadores também influencia em como as modalidades irão se popularizar.
Segundo a Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, o mercado de esports é um dos setores que mais cresce dentro da indústria de mídia. A empresa estima que existem mais de 418 milhões de espectadores focados apenas em competições mobile no mundo todo.
E essa enorme quantidade de telespectadores se junta a outro fator de extrema importância para o cenário e para as desenvolvedoras dos jogos: a receita anual. Ainda de acordo com a Statista, em 2019 a receita anual do mercado de esports mobile chegou a US$875 milhões e até 2025, deverá chegar a US$1,15 bilhão.
Projetada para ser uma das maiores no cenário, a China é responsável por grande parte do investimento no setor, gerando US$360 milhões de receita anual. Apesar de grande parte do investimento no cenário, a China também abriga grande parte das pessoas que acompanham as transmissões de esports mobile, conseguindo picos de mais de 173 milhões de telespectadores nas modalidades.
A Statista conclui sua pesquisa com dados significativos em relação às receitas anuais ao redor do mundo. De acordo com a empresa, o cenário de esports mobile consegue gerar mais de US$875 milhões anualmente. Entretanto, as premiações que os campeonatos proporcionam para seus vencedores é o que chama mais a atenção de seus telespectadores e jogadores.
De acordo com o Esports Charts, a Garena, desenvolvedora do Free Fire e Arena of Valor, pagou mais de US$19 milhões aos vencedores de seus campeonatos em 2021. Contudo, outras desenvolvedoras também pagam grandes quantias nos seus torneios, como é o exemplo da Tecent, organização matriz e responsável pelo PUBG Mobile, que paga mais de US$37 milhões em premiação em seus campeonatos.
A Moontoon, desenvolvedora do Mobile Legends: Bang Bang, não paga quantias tão exorbitantes em seus campeonatos, mas suas premiações já chegaram a mais de US$5 milhões apenas no ano de 2021.
O mundo mobile dos esportes eletrônicos cresce cada dia mais. Novos telespectadores, quantidade de horas assistidas, enormes premiações e quantidades gigantescas de lucro mostram o quanto esse novo setor precisa de toda a atenção do cenário dos esports como um todo. Crescer cada dia mais e mostrar seu enorme potencial é algo que exala do cenário mobile. Como uma criança que ainda está engatinhando, ele está dando os seus primeiros passos, mas já já correrá rápido e livremente.
IMPACTO SOCIAL DOS ESPORTS MOBILE
Por ser uma plataforma mais acessível que os computadores, os celulares conseguem democratizar o acesso aos esportes eletrônicos de forma gradual, possibilitando, assim, que se tornem uma ferramenta de impacto e ação social. Um exemplo desse impacto através dos esports é a Taça das Favelas, organizada pela Central Única das Favelas, a CUFA.
Segundo o regulamento online do campeonato, por ser exclusivamente destinado a moradores de comunidades, o torneio tem como objetivo a integração das favelas através de seus jovens. Essa integração que a Taça das Favelas propõe, tem como finalidade colaborar com a cultura de paz dentro das periferias, valorizando o potencial da juventude e da educação através dos esportes eletrônicos. Com isso, o projeto vem ajudando a juventude a se conscientizar do seu papel comunitário e social dentro dos bairros periféricos .
Apesar de buscar incluir pessoas de todo o Brasil, infelizmente a Copa das Favelas é vítima de um elitismo que cresce entre os esportes eletrônicos de computadores. Esse elitismo busca inferiorizar jogos que são destinados ao público mobile, comparando-os com os jogos destinados a outras plataformas, como PC, por exemplo.

Taça das Favelas free fire lança videoclipe oficial de música tema com guxta, bivolt e jovem dex, ‘taças’ | Reprodução/LOUD
De acordo com César Souza, pesquisador de games que atua na Faculdade de Coimbra, o preconceito elitista é resultado de uma comparação histórica entre as plataformas, que têm como gatilhos os elementos semelhantes entre os jogos para celulares e para computadores.
Todavia, o pesquisador também afirma que consegue enxergar uma mudança sutil no cenário, juntamente com a procura de títulos com uma acessibilidade maior. “Eu acredito que sim, que já exista esse movimento de mudança e acabo me surpreendendo com muitos títulos que consigo achar nos dispositivos móveis”, completa César.
Mesmo sofrendo com o preconceito vindo do cenário de esportes eletrônicos, a Taça das Favelas é um movimento de resistência. Uma vez que, para ser jogador profissional de Free Fire não é necessário um computador robusto ou vários outros acessórios como mouse, teclado e afins, mais oportunidades se abrem para o ingresso da comunidade das periferias dentro dos esportes eletrônicos.
Entrevistada para esta reportagem, Mayara Cruz, jornalista de esportes eletrônicos no portal Multivero+, afirma que a Taça das Favelas é um movimento de inclusão e oportunidades dentro do cenário de esports. Além disso, Mayara continua afirmando que a Taça das Favelas é uma ferramenta de inclusão social e fomenta o mercado de esportes eletrônicos com base na diversidade.
“A Taça das Favelas oportuniza. Ela mostra para a comunidade que os jovens de periferia podem alcançar o sonho de se tornar um player profissional de Free Fire. Além disso, o campeonato incentiva e fomenta ainda mais o mercado de games, mostrando uma acessibilidade que não é comum de se ver em outros games. Isso com certeza ajuda a incluir novos rostos no cenário dos eSports, temos talentos em diversas partes do país, isso não exclui a periferia”, completa Mayara.
Outra forma que a comunidade de Free Fire encontrou para incluir grupos sociais minoritários dentro no cenário de esports foi com a Copa das Aldeias, campeonato destinado à comunidade nativa brasileira. Organizada pelo Movimento da Juventude Indígena de Rondônia, a Copa das Aldeias teve suas atividades encerradas em 2021 e buscou incluir jovens de etnias diversas dentro do cenário competitivo do game.
Segundo Suemy Yoshino, uma das organizadoras da Copa das Aldeias, o objetivo principal do campeonato era promover a inclusão social. O projeto visava levar mais visibilidade para a situação dos povos indígenas, podendo assim construir pontes entre as etnias. Ainda de acordo com Suemy, essas pontes serviam, principalmente, para estabelecer vínculos entre as etnias de todo o Brasil.
Mesmo abrindo portas para a comunidade de povos originários dentro do cenário de esports nacional, a Copa das Aldeias também consegue fazer o trabalho inverso e atrair pessoas para conhecer e aprender sobre a cultura indígena brasileira.
"Após ter sido convidada para ser organizadora da Copa das Aldeias, acabei descobrindo que possuo etnia indígena por parte do meu pai. Isso foi algo que me encantou muito e me motivou ainda mais", afirma Suemy Yoshino.

Equipe de Free Fire da Copa das Aldeias - Reprodução/Divulgação Copa das Aldeias
Por estar inserida em uma modalidade que contribui com a acessibilidade dentro dos esportes eletrônicos, a Copa das Aldeias teve bastante visibilidade por parte da mídia. Essa visibilidade também foi fruto do envolvimento com plataformas influentes no cenário, como a NimoTV.
“O cenário de esports do Free Fire é muito acolhedor quando comparamos com outros cenários por aí. O jogo é muito acessível e qualquer player consegue jogar”, continua Suemy.
Mesmo sendo um torneio que ganhou muita visibilidade desde sua criação, a Copa das Aldeias teve seu fim em 2021. Segundo Suemy, um dos maiores patrocinadores do torneio acabou saindo do projeto, o que impediu seu andamento. Por se tratar de um projeto social, os organizadores também descartaram a ideia de cobrar para ter acesso ao campeonato. De acordo com Suemy, o torneio perderia todo o sentido caso isso acontecesse caso tomasse esse rumo.
“Ainda temos o sonho de levantar a Copa das Aldeias, pois foi algo que trouxe esperança e diversão para muita gente. Até hoje recebo mensagens de carinho dos participantes, me perguntando se ainda existe a possibilidade de retorno da Copa das Aldeias”, completa Suemy.
Apesar do cenário de esports brasileiro estar caminhando contra a onda de desigualdade presentes desde a sua criação, ainda há muito a ser trabalhado e conquistado. Tanto a Copa das Aldeias quanto a Taça das Favelas são símbolos de resistências que não só existem dentro dos esportes eletrônicos.
Infelizmente, os esports são reflexos de uma sociedade pouco inclusiva e que muitas vezes esquece que tem fama de ser acolhedora. A caminhada para conquistar um espaço mais diverso dentro dos esports ainda é longa, mas mesmo que devagar, é com um passo de cada vez que uma estrada é percorrida e que um objetivo é alcançado.



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